Portugal registou, em 2024, uma taxa de recolha de vidro para reciclagem de 61%, o valor mais elevado de sempre no país. O resultado representa um aumento de 12 pontos percentuais face a 2020, ano em que a taxa se situava nos 49%.
Para Nuno Vieira, Coordenador da Plataforma Vidro+, “esta evolução positiva reflete o esforço conjunto de toda a cadeia de valor do vidro (indústria, distribuição, municípios, sistemas de gestão de resíduos e cidadãos) e demonstra que é possível aumentar a reciclagem quando há colaboração e iniciativas concretas no terreno”.
A evolução ocorre num contexto de progresso a nível europeu. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela iniciativa Close the Glass Loop, a taxa de recolha de embalagens de vidro para reciclagem na União Europeia atingiu 82,2% em 2024. A iniciativa destaca ainda o papel determinante dos sistemas municipais de gestão de resíduos, responsáveis por 87% das embalagens de vidro recolhidas, bem como a importância de assegurar que o material recolhido regressa efetivamente ao ciclo produtivo.
Apesar da evolução positiva, subsistem diferenças relevantes entre os Estados-Membros, sendo necessários esforços adicionais a nível nacional para reforçar a recolha e a reciclagem. A legislação europeia estabelece uma meta de reciclagem de 75% para as embalagens de vidro até 2030, enquanto a Close the Glass Loop pretende alcançar uma taxa de recolha para reciclagem de 90% no mesmo horizonte.
Criada em 2022, a Plataforma Vidro+ tem vindo a identificar e testar soluções para melhorar a recolha e o encaminhamento de embalagens de vidro para reciclagem. O próximo desafio passa por reforçar e dar escala às medidas com maior potencial de impacto, sobretudo nos pontos onde continuam a existir maiores perdas do material.
“Há ainda um longo caminho a percorrer. A meta europeia do vidro é de 75% até 2030, o que exige intensificar os esforços e dar escala a soluções que já provaram a sua eficácia, sobretudo no canal HORECA, onde uma parte significativa do vidro ainda não chega ao circuito de reciclagem”, sublinha Nuno Vieira.